segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

De volta


Sem tempo e espaço.  


Entre meios espremida num trem de inúmeros posso sentir de corpos inteiros suas metades esquecidas em becos das vontades não vividas. Em contato, não por escolha de corpos inteiros, sequer a face reconheço, nem ao menos noto, questão sequer nem mesmo faço, Paulista nata da palavra, estranheza nisso não há tampouco consciência.


O aperto no peito, porém  menos disto devaneia.  O aperto é daquele abraço que ficou no sul e me carregou de tantas faltas, o cheiro do pequi na casa inteira me leva de volta ao quintal de limoeiros e céu estrelado, lagartos que correm, corujas na espreita e passarinhos que roubam alimentos à tua mesa. As lagrimas  daquele abraço,  fechadas com os  zípers das malas, o prato de comida trazido pela irmã do meio,  a taxi esperando na porta da sala e o pai avisando voce vai perder o ônibus, acabaram de chegar. 


Saber que não vou mais acordar  com o som do teclado as 4h, o café das 5h e o chimarrão das 7h,  não vou mais escutar a Juriti reclamando que ninguém a escuta perguntando se vamos a sorveteria, pzzaria ou reclamando que cresceu mais 4 centímetros mal julgando seus esplendorosos 1,84m se julgando feia no auge de sua beleza européia de olhos azuis a cabelos louros cacheados filha de mãe negra, a poucos minutos da sua melhor  melhor amiga Kaline chegar, enquanto discutimos detalhes finais das gravações e editoriais de cantigas e cirandas do cerrado.
Não vou mais ver o  Kauã acordando  com o amigo gritando na porta me dizendo: mãe! To pela cidade.  Ver a Anália acordando com o seu sorriso largo profundo de sacudir o mundo, tramitando como anjo no recinto deixa fixa  sua alegria e serenidade com os quadros da parede mesmo quando esta longe. Ver meu pai que recebe durante um dia inteiro inúmeras personalidades tecendo o fio invisível da cultura na cidade, entram e saem de casa, entre ensaios com musica, violão, conversa e tereré.

É 6h25, horário de Brasília, o cheiro do pequi esta na casa inteira causando estranheza no ambiente, estão todos perguntando que cheiro é esse.  Vou preparar aquele chimarrão, posso escutar o barulho do teclado do meu pai no Sonho meu III,  da máquina de escrever na beira do rio sucuriú e vê-lo entrar no quarto acendendo as luzes e  abrindo as janelas para nos acordar.

Por isso eu escrevo

Há dias que como hoje as vezes sol, as vezes chuva e quanto chuva o desejo de ir pra Pasárgada e descobri que Pasárgada é tua casa e que o...